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Síndrome Asia

SÍNDROME ASIA: VOCÊ JÁ OUVIU FALAR?

Em primeiro lugar, precisamos entender como nosso corpo funciona, para então entender porque essa doença acontece.

Todos nós temos um fator chamado AUTOIMUNIDADE! Ela serve para nos proteger e para isso é capaz de reconhecer o que faz parte de nós (como os hormônios, células…), reconhecer o que não faz parte de nós (NÃO-SELF: bactérias, vírus…) e ter a habilidade de reconhecer quando algo nosso sofre modificações (como os tumores por exemplo).

O que ocorre é que para a maioria das pessoas a autoimunidade é mantida sob controle. Quando por alguma razão ela se torna hiper-reativa, temos então as DOENÇAS AUTOIMUNES! Para isso deve haver a genética presente associada a fatores ambientais, nem sempre conhecidos.

Há diversas doenças auto imunes conhecidas como lupus, vitiligo, artrite reumatóide, tireoidite de Hashimoto, doença celíaca… e, a mais recente e polêmica, SÍNDROME ASIA.

ASIA é a sigla para Autoimmune/Auto-inflammatory Syndrome Induced by Adjuvants. Essa doença é uma condição na qual o organismo é exposto a uma substância estranha ao corpo desencadeando um gatilho e, então, o corpo começa a “atacar” ele mesmo. Desses fatores estranhos temos vacinas, prótese ortopédica, dispositivo de contracepção, preenchedores faciais ou PRÓTESES DE SILICONE.

A doença foi descrita por Shoelfield, um médico israelense, em 2011. O primeiro caso apresentado por ele foi de uma médica oftalmologista. A mesma tinha uma doença autoimune dermatopolimiosite* e começou a sofrer de dores crônicas e desenvolveu lúpus, esclerodermia e esclerose múltipla, sendo uma caso raro e grave. Ela tinha implantes mamários há 10 anos. Devido à condição difícil que se encontrava e após internações e idas e vindas a UTI, sabendo que a doença que tinha não teria cura e sua vida se resumiria a tratamentos paliativos, decidiu por ser internada na Suíça para ser submetida a eutanásia (suicídio assistido). Foi quando Shoenfeld viu sua história em postagens de uma rede social e entrou em contato com ela. Propôs que ela repensasse porque não teria cura, mas poderiam buscar tratamentos alternativos e estudar o caso dela para ajudar outros casos semelhantes. Ela acabou reencontrando em ex-namorado, casou-se com ele e ainda viveu por 9 anos! Faleceu em março de 2020 devido à repercussão de uma descompensação grave da sua condição autoimune!

A síndrome ASIA é popularmente chamada de doença do silicone, mas essas doenças são diferentes!!! A doença do silicone não é autoimune! Ela é causada pela toxicidade do silicone.

O diagnóstico de síndrome ASIA é extremamente difícil, pois não há exames que confirmem a doença e os sinais e sintomas são muito comuns a diversas outras situações de saúde, pois são inespecíficos.

A mulher inicia um quadro de enxaqueca, queda de cabelo, infecções de repetição… aleatórios, e não correlaciona esses sintomas com as próteses mamárias. Ela começa a acreditar que é hormonal, ou a idade, ou que o estresse está gerando esse desconforto. Então inicia uma busca com especialistas de diversas áreas, passa por equipes, realiza exames e mais exames, e nada é achado para fechar o diagnóstico de alguma doença conhecida. Com isso, a média de tempo para diagnóstico é de 10 anos! E quanto mais tempo passa até o diagnóstico, mais sintomas aparecem.

NOSSO ORGANISMO É PERFEITO! Ele começa a mostrar que algo está errado, aparece o primeiro sintoma… o tempo passa e o corpo te diz :”olha, preste atenção! Algo está errado aqui e você não está vendo…” e assim vai. Tanto que a maior parte das pacientes desconfiam desse diagnóstico sozinhas, por meio de páginas na internet que falam sobre isso e então é que buscam ajuda direcionada.

Além disso, por ser uma doença relativamente recente e rara, 0,8%, muitos médicos não conhecem esse mecanismo e acabam por não fazer essa hipótese diagnóstica. Acredita-se que essa porcentagem não seja real, pois não é uma doença de notificação compulsória, e devem haver muitos casos subnotificados ou ainda não diagnosticados.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) refere que pesquisas científicas não relataram relação entre implantes mamários e doenças autoimunes ou sistêmicas. Mas o FDA (Foods and Drugs Administration), que é o órgão regulador de vigilância sanitária nos Estados Unidos) já reconhece a doença desde 2019 e não definem que o ideal é retirar as próteses, mas sim, ter a informação e conhecimento dessa possível complicação, além de fazer monitoração frequente dos implantes.

Deve-se lembrar que existem mulheres que tem condição de risco para ASIA, devendo-se ter um cuidado maior ao discutir procedimentos com implantes de qualquer tipo, pois já tem a predisposição. Então atenção para quem tem deficiência de vitamina D, relato de autoimunidade prévia ou de histórico na família para tal, histórico de alergias.